O estado de Goiás acumula mais de 150 registros de terremotos desde 1826, com maior concentração nas regiões Norte e Noroeste, incluindo um evento de magnitude 5,0 em 8 de outubro de 2010 e 21 abalos apenas em 2024, dez deles concentrados em março. Municípios como Mara Rosa, Minaçu, Montividiu do Norte, Porangatu e Trombas figuram entre os mais afetados, embora os tremores não tenham causado destruição significativa ou vítimas. A Defesa Civil de Goiás e o Observatório Sismológico da UnB acompanham a atividade sísmica por meio de rede de monitoramento ampliada nos últimos anos.
Histórico de eventos sísmicos no estado
Os registros mais antigos remontam ao século XIX, mas o monitoramento sistemático revela que a maior parte dos abalos permanece de baixa magnitude e intraplaca. O professor Marcelo Peres Rocha destaca que a impressão de aumento na frequência decorre da ampliação da rede de sensores e da rapidez na divulgação das informações. Em 2024, os 21 eventos detectados mantiveram o padrão de distribuição geográfica já observado em décadas anteriores.
Causas geológicas dos abalos
Especialistas atribuem os tremores à reativação de antigas falhas geológicas presentes na Faixa Sísmica Goiás-Tocantins, região de fragilidade da crosta terrestre.
os terremotos registrados em Goiás pertencem à categoria intraplaca, diferente dos grandes eventos observados em países localizados nos limites das placas tectônicas
Marcelo Peres Rocha
Os abalos são captados pela instrumentação e ocasionalmente sentidos pela população local sem provocar danos estruturais.o Estado integra a Faixa Sísmica Goiás-Tocantins, área de fragilidade geológica que favorece pequenos abalos
Marcelo Peres Rocha
Monitoramento atual e recomendações
A ampliação da rede sísmica permitiu registrar eventos que antes passavam despercebidos, elevando a precisão dos dados disponíveis para a Defesa Civil. Autoridades recomendam que moradores das áreas mais suscetíveis mantenham planos de emergência atualizados, embora o risco de eventos de grande porte permaneça baixo. O trabalho contínuo de cientistas da UnB contribui para o entendimento da dinâmica crustal no interior do continente sul-americano.
