Investimento tardio e histórico de caos: Obras de R$ 6 milhões da Goinfra em Caldas Novas deixaram rastro de reclamações

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Recuperação asfáltica realizada em maio de 2026 expôs a incapacidade de autofinanciamento do município e travou o trânsito na região central; moradores criticam demora para o início do programa.

A recente execução das obras do programa “Goiás em Movimento Municípios” em Caldas Novas, finalizada nas últimas semanas, deixou claro um problema crônico na gestão pública local: a total dependência de repasses do Governo do Estado para a manutenção básica das vias urbanas. O pacote de R$ 6 milhões executado pela Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) foi, na verdade, o cumprimento tardio de um cronograma deixado pelo ex-presidente do órgão, Pedro Sales, evidenciando o longo tempo de espera que a população precisou amargar em meio a buracos antes que as máquinas finalmente chegassem.

Dependência política e maquiagem urbana

Apesar de a prefeitura ter exaltado o uso de asfalto do tipo CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente) pela sua suposta durabilidade, críticos e moradores apontaram que a intervenção funcionou apenas como um paliativo em pontos isolados. O fato de o prefeito Kleber Marra e os vereadores precisarem recorrer ao Palácio das Esmeraldas para conseguir recapear avenidas centrais acendeu um alerta sobre a falta de capacidade de investimento próprio e o esvaziamento do caixa municipal para a zeladoria urbana.

Além disso, a liberação da verba, atrelada a costuras políticas, reforçou as críticas de que o asfalto foi utilizado como moeda de troca e vitrine eleitoral, em detrimento de um plano técnico e contínuo de manutenção que cobrisse, de fato, a periferia abandonada da cidade.

O preço dos “transtornos temporários” no comércio local

Iniciada em 13 de maio, a primeira etapa dos trabalhos — realizada no trecho crítico entre a B-5 e o Colégio Estadual Bento de Godoy — testou ao limite a paciência dos motoristas e comerciantes de Caldas Novas. As intervenções e os bloqueios na Avenida Dr. Ciro Palmerston provocaram congestionamentos severos em uma malha viária central que já opera saturada.

Prejuízo no comércio: Durante os dias de maquinário na pista, comerciantes locais reclamaram do isolamento de suas frentes de lojas e da eliminação temporária de vagas de estacionamento. O impacto no faturamento gerou revolta, com lojistas argumentando que a falta de um planejamento que previsse trabalhos em horários alternativos (como o período noturno) transferiu o custo da obra para o bolso do trabalhador.

Embora a administração municipal tenha minimizado os impactos na época, alegando que os transtornos seriam passageiros e trariam melhorias permanentes, o sentimento geral após o término dos trabalhos é de que a intervenção foi demorada, barulhenta e focada apenas nas vias de grande visibilidade, deixando de fora as ruas residenciais que continuam intituladas pela poeira e pelo barro.

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